Quando ano passado, a ocupante do quanto do meio veio viver para a casa das paredes azuis, trouxe com ela a terceira habitante oficial da mansão: a bimba Matilde.
Foi decididamente amor ao primeiro prato. Nunca mais as sopas me saíram bem sem ser com a ajuda da Matilde, e parece que já nem sei fazer lasanha sem que ela passe pelo turbo da Matilde.
Depois quando me meti na aventura dos bolos, a Matilde era praticamente o meu terceiro braço. A bater a massa, não havia batedeira que lhe batesse!
Depois no Natal, a ocupante do quarto do meio levou a Matilde de férias para a casa da sua progenitora, e nunca mais a vi.
Todos os dias sentia saudades dela, e todos os dias dizia "então e agora, como é que vou cozinha? Como é que vou bater bolos?".
Claro que já tinha passado há muito pela minha cabeça comprar uma bimba Matilde só para mim, mas razões monetárias gritavam sempre mais alto, e o eterno dilema "será que vale mesmo a pena?" andava sempre a bailar por ali.
Pensei, pensei, pensei, pensei mais um bocadinho, voltei a pensar, a pensar, e mais um bocado, e pensei, e pensei, e pensei....
E foi assim que a uma terça-feira de manhã acordei e a primeira coisa que disse foi: hoje vou comprar uma bimba! E na quarta feira ao final do dia, já a tinha linda e maravilhosa em cima da mesa da minha cozinha. E para começar com as hostilidades, e a gaja perceber que lá em casa não se brinca em serviço, na quinta-feira fiz logo 5 bolos com a dita!
Penso que este é o começo de uma bela amizade, que irá durar muitos anos!
(estou pobre para além de pobre, mas a todas as pessoas a quem conto a minha compra, todas dizem "fizeste tu muito bem!", por isso acho que fiz bem...)