Tenho passado alguns dos últimos tempos numa casa que não é a minha. Uma casa moderna, grande, espaçosa, com todas comodidades de casa nova. Uma casa que bem cuidada seria uma casa quase perfeita. Apenas com o grande defeito de ser do lado errado do rio, e de estar longe do local de trabalho. Mesmo assim, não deixa de ser uma bela casa.
A minha casa é velha, semi-pequena, a precisar de obras, e sem as comodidades de uma casa nova. Mas está no sitio certo, na localização perfeita, perto de tudo e de todos, principalmente do local de trabalho. Mas é uma casa que melhor cuidada, e com algum (bastante?) dinheiro, podia ficar bem melhor. Não dá para esticar áreas, mas dá para modernizar casas-de-banho. Não dá para inventar garagens e varandas, mas dá para instalar aquecimentos centrais ou ar-condicionados.
No entanto, esta semana disseram-me: o que tu gostas mais na tua casa é a localização. Porque tu no fundo queria era ter uma casa moderna.
E eu fiquei a pensar nisso.
Se eu gostava de ter uma casa moderna? Claro que sim.
Se eu gostava de ter varanda/terraço, ar-condicionado, aquecimento eléctrico, garagem, e terraço, arrecadação, lareira, um forno e placa eléctricos, e uma casa de banho que funcionasse como deve se ser? Obviamente.
Mas a casa das paredes azuis foi o que eu consegui ter. E gosto dela. Mesmo quando que por ela deixei de fazer muita coisa. Porque ela significa mais que apenas uma espaço de quatro paredes. Significou a minha liberdade, significou a minha emancipacipação, significou o fim da era de outros e o começo da minha.
E para isso, não preciso de uma casa moderna.