Corria o ano de 1929, quando na longínqua Angola vinha ao mundo mais um ser humano como outro qualquer. Um ser humano que não mudou o mundo em geral, mas pelo menos mudou o meu mundo.
Se tivesse vivo, hoje o meu querido avô Hermes faria 80 anos. Um número bem redondo.
Mas infelizmente em Fevereiro passado, acordei numa segunda-feira de manhã com um telefonema que não vou esquecer mais. Numa segunda-feira de manhã que dei o abraço mais forte que consegui dar à minha avó. Num dia em que escolhi um fato castanho para ser usado pela última vez, em que fiz comida, em que tomei conta de meio mundo e do outro. Fiz aquilo que o meu avô costumava fazer como ninguém: tomar conta dos outros. Levar tudo à frente. Ter mau feitio. Ser forte e determinado.
O meu avô Hermes pode já não estar aqui, mas no fundo, estará sempre aqui.
Dentro de mim.