20 de abril de 2012

abaixo do equador, parte 3


aconteceu tudo de mau:
  • faltou a água durante 2 dias ( que não faltava desde Novembro)
  • faltou a luz durante um dia inteiro (que não faltava desde Dezembro, e ainda bem que existem geradores!)
  • cada vez há mais baratas e maiores (e o que eu odeio baratas!)
  • calor, muito calor (e viva os ares condicionados!)
  • o trânsito é de uma confusão infernal que é impossível descrever, só mesmo estando lá e vendo as infracções que aquela gente faz para acreditar.
  • para além de os candongeiros serem cada vez mais e conduzissem cada vez pior, há cada vez mais motinhas, que se metem por todo o lado, incluindo sentidos contrários, passeios, passadeiras e tudo o resto por onde puderem ir.
  • as estradas têm cada vez mais buracos, ou melhor, existe um bocadinho de estrada á volta dos buracos.
  • os policias, quando os há, é para mandar parar brancos ou candongueiros, para ganharem a sua dose diária de "gasosa" (por outras palavras, suborno).
  • tudo continua para lá de caro (um panhaché custa 900 kuanzas, o equivalente a 8 euros, porque é 500kuanzas de uma cerveja importada + 400 kuanzas de um gasosa).  
  • compra-se um carro novo numa sexta-feira, e enquanto acima do equador a preocupação principal é "onde vamos dar uma volta para experimentar o carro novo", abaixo do equador a preocupação principal é "chumbar" os retrovisores e piscas à carroçaria do carro, para impedir que sejam roubados. Quando se demora uns dias a mais a fazer isso, é certo e sabido que os ditos desaparecem. No nosso caso, os retrovisores demoraram só uma semana a desaparecerem do carro novo.
  • ir passar o fim-de-semana da Páscoa ao Lobito/Benguela, e combinar ficar em casa de familiares que vivem lá, que nos emprestavam a casa porque eles próprios iam passar o fim-de-semana fora. Mas depois de fazer 600km, chegousse á porta de casa e a empregada tinha trancado portas que não eram suposto estarem fechadas, por isso não se conseguiu entrar em casa e teve que se descobrir um hotel á ultima da hora, numa cidade super cheia de gente que decidiu toda ir passar o fim-de-semana a Benguela. Acabou-se por se descobrir hotel, mas claro, mais caro que um qualquer hotel 5 estrelas em algumas capitais europeias, mas claro, com menos de metade das comodidades.
  • em dia de Páscoa uma pessoa vai á praia e fica contente por não estar quase ninguém. Mas acaba o dia numa clínica local a pagar uma pequena fortuna, porque ele decidiu correr atrás de dois "locais" que tinham acabado de roubar o saco de praia de mommy dear. E correr de chinelos não dá muito jeito, por isso o ele acabou por se espatifar no alcatrão, arranhando joelhos, cotovelos e arrancando uma unha do pé. Foi sangue por todo o lado, dois "locais" ganharam uma toalha de praia e um bronzeador, ele ganhou uma razão para dizer que nunca jamais irá para lá trabalhar e férias lá só talvez daqui a dois anos, e eu ganhei um susto de morte e a vontade de voltar o mais rapidamente para cima do equador. 



mas também aconteceu tudo de bom:
  • descobriu-se que o vizinho de cima é simpático (ou ignorante...) e tem a sua internet wireless sem password... portanto todo e qualquer gato pingado se pode pendurar na net do vizinho á pala. Obviamente que fiz isso durante duas semanas, o que permitiu continuar ligada ao mundo...
  • as praias continuam lindas e maravilhosas, a água super quente e cristalina, e passa-se horas dentro de água sem correr o risco de hipotermia.
  • fora de Luanda encontram-se paisagem fantásticas, tudo é "grande e vasto", o céu continua de um azul único e os pôr-de-sol são de se tirar o fôlego.
  • a fruta tropical continua do melhor que há, e as mangas são de se babar.
  • a coca-cola angola é diferente, tem muito menos gás e açúcar, e eu bebi mais coca-cola em duas semanas do que no resto do ano todo.
  • ir passar o fim-de-semana ao Mussulo tornou-se paragem obrigatória, e andar de barco, aquelas praias, aquela água e aquelas paisagens, fazem esquecer a cidade caótica que está mesmo em frente.
  • reencontrou-se amigos dos bons, e conheceu-se amigos novos, gente gira, fashion, divertida, e mais que hospitaleiros, que nos levaram a sítios giros e fashion que nos fizeram esquecer que estávamos abaixo do equador. Ok, também me fizeram guiar à noite, um carro sem direcção assistida e sem piscas por sítios por onde eu nunca tinha ido, por estradas onde andam gajos escuros vestidos de escuro em motinhas sem luzes, a dar instruções tipo "na rotunda viras na segunda", mas afinal a segunda já era fora da rotunda, mas se consegui conduzir ali e sobreviver e não matar alguém, estou pronta para a Fórmula 1! No fim ficou a sensação de pena por ser pouco o tempo que passamos juntos, e claro, uma inveja tremenda por não poder assistir aquele que vai ser O casamento/evento social do ano por aquelas bandas (miss Feijão, quero fotos, muitas fotosss!!!!). 

1 comentário:

Ana FVP disse...

Tu és tããããããão querida :)

E fazes cá falta!