6 de maio de 2009

o que vale realmente a pena

Ontem, numa conversa de café, disseram-me:

"O teu trabalho é um bocado da treta, é fazer as coisas bonitas... e não tem muita visibilidade nem trás grande retorno à empresa".

Sei que não sou nenhum super médico que salva vidas a torto e a direito.
Sei que não sei escrever romances de fazer chorar as pedras da calçada.
Sei que não nunca vou descobrir a cura para o cancro, ou para a Sida.
Sei que não faço pão todos os dias para alimentar 3500 bocas esfomeadas.
Sei que não faço a mínima como cozer um par de calças, ou uma saia, ou tricotar uma camisola.
E sei que se um dia a electricidade faltar no mundo inteiro, serei uma daquelas pessoas que vai ficar sem nada para fazer, e não vai valer nada, porque não sei plantar, ou caçar ou mesmo criar animais.

E sei que não sou nenhuma técnica super especializada que faz aplicações para calcular a raiz quadrada do diâmetro da terra, mas no dia em que a luz faltar na terra, o que é que isso também vai mesmo valer?

Hoje, pela primeira vez na minha vida, tenho orgulho no trabalho que faço. Consigo utilizar a minha pequena veia criativa, a fazer umas coisas engraças e giras.

Acho que é assim que na realidade se pode classificar o meu trabalho: engraçado e giro.
E que no fundo, qualquer um pode fazer coisas bonitas. Pelo menos é o que toda a gente dizem, até claro, chegar verdadeiramente a altura de o fazer.

Mais uma vez, fui relembrada porque é que no fundo, sou tão valorizada na minha empresa como a menina brasileira que anda a empurrar um carrinho cheio de bolos e a vendê-los.

E mais uma vez, pergunto-me se tomei a decisão certa na profissão que decidi escolher.

Se valerá realmente a pena tornar as coisas "giras e bonitas".

Porque à noite deito a cabeça na almofada, e sou assolada por uma enorme sensação de tristeza e frustração, já nada parece valer a pena...